4.10.05

Let the dead bury the dead

 
Ainda me pergunto como sobrevivi à faculdade de história. Nutrindo intolerância. Há uma certa contradição nessa lógica, mas para mim está muito claro. Historiador à parte do mundo, política para os geógrafos e sociólogos e cientistas que o valham. Não me meto em política. Lido com o que já foi. O que ganho com previsões? Erros. Perdido em um passado que... nunca deixará de ser apenas isso: passado. Se o assunto me interessasse tanto assim estudaria política e não história. Tampouco interessava um curso técnico, fiz o que quis e o que permitiu minha intolerância bem nutrida desde meus dezesseis anos. Antes estudar costumes do clero no início do feudalismo do que jogar idéias em uma fogueira de estudantes irados querendo votar, e depois fazendo bagunça e parando o trânsito para tirar aquele que colocaram no poder. Não os estudantes. Quem colocou quem no poder? Política depois do impeachment perdeu o rumo. Vou acreditar em Hegel e dizer que tudo na história caminha com um propósito.

Evito meu rosto no espelho quando escovo os dentes. Evito o presente. Evitando sempre o presente como evito o futuro. Há segurança em acontecimento com começo, meio e fim como livros prontos, lidos ou não. Saber que o fim está escrito e se convir ainda é possível espiar as últimas páginas.

Free. Soul free and fancy free. Let the dead bury the dead. Joyce morreu em 1941. Está escrito. O passado está todo escrito. Let the dead bury the dead. Diabo.

(Estou quase lá no fundo, olha, o chão. Aí vocês me disseram que eu devo usar o chão pra dar o impulso pra cima, não é? Se ainda me restarem forças.)

E veio a vida.