30.8.05
... e uma certa caça à minha inconsistência.
Quando comecei o blog, eu inventava muita coisa.
Aí estava eu olhando meus arquivos e foi um ou dois posts pra rir da minha própria inconsistência e como é que ninguém reparou em uma coisa assim? Escrevia com finalidades de descarregar um cérebro cheio de divagações com pouco nexo e no final das contas o blog me serviu mais mesmo pra botar ordem nas divagações e hoje em dia até sinto falta daquela coisa amorfa que era minha cabeça. Engraçado, isso de blog.
Mas o que são mentiras, afinal? Eu podia me chamar João, ou Eduardo, e na verdade não faria diferença porque num blog eu não sou o meu nome e não sou o que eu faço, e sim o que escrevo, e isso eu não posso nunca fingir ou enganar ninguém. Posso falar que fiz alguma coisa que não fiz, posso trocar cidades e inventar um diálogo qualquer (não que tenha feito algo assim especificamente, mas veja, pouco importa), mas não posso deixar de ser minha escrita, aos olhos de todos, o tempo todo.
Enquanto fatos são aparências a escrita é essência, o vampiro se olhando no espelho que pode não estar ali no espelho, mas está, sempre está.
Hoje em dia não invento mais, me escapa a necessidade e a vontade e só precisava mesmo era de algum lugar para me atirar como um cego confiante demais. E talvez também invente menos porque agora minha própria pessoa se faz mais clara para olhos que só se vêem no espelho - e tantas vezes que sequer se vêem, estão mas não estão - minha inconsistência, minha insegurança, desapareceram mas não viraram seus opostos, apenas deram lugar para uma espécie de clarividência introspectiva.
Isso, claro, nos momentos em que Hegel não me escapa tanto quanto tem me escapado nesses últimos dias, mas aí são apenas fatos; um casamento que termina, um sentimento que não morre, uma raiva congelada, uma dúvida... Não, não quero pensar na dúvida.
Eu estava falando de mentiras. Eu estou falando que sou meu texto. Luciano-texto, Luciano-sem-os-fatos. Das coisas que nunca vou poder esconder.
Quando comecei o blog, eu inventava muita coisa.
Aí estava eu olhando meus arquivos e foi um ou dois posts pra rir da minha própria inconsistência e como é que ninguém reparou em uma coisa assim? Escrevia com finalidades de descarregar um cérebro cheio de divagações com pouco nexo e no final das contas o blog me serviu mais mesmo pra botar ordem nas divagações e hoje em dia até sinto falta daquela coisa amorfa que era minha cabeça. Engraçado, isso de blog.
Mas o que são mentiras, afinal? Eu podia me chamar João, ou Eduardo, e na verdade não faria diferença porque num blog eu não sou o meu nome e não sou o que eu faço, e sim o que escrevo, e isso eu não posso nunca fingir ou enganar ninguém. Posso falar que fiz alguma coisa que não fiz, posso trocar cidades e inventar um diálogo qualquer (não que tenha feito algo assim especificamente, mas veja, pouco importa), mas não posso deixar de ser minha escrita, aos olhos de todos, o tempo todo.
Enquanto fatos são aparências a escrita é essência, o vampiro se olhando no espelho que pode não estar ali no espelho, mas está, sempre está.
Hoje em dia não invento mais, me escapa a necessidade e a vontade e só precisava mesmo era de algum lugar para me atirar como um cego confiante demais. E talvez também invente menos porque agora minha própria pessoa se faz mais clara para olhos que só se vêem no espelho - e tantas vezes que sequer se vêem, estão mas não estão - minha inconsistência, minha insegurança, desapareceram mas não viraram seus opostos, apenas deram lugar para uma espécie de clarividência introspectiva.
Isso, claro, nos momentos em que Hegel não me escapa tanto quanto tem me escapado nesses últimos dias, mas aí são apenas fatos; um casamento que termina, um sentimento que não morre, uma raiva congelada, uma dúvida... Não, não quero pensar na dúvida.
Eu estava falando de mentiras. Eu estou falando que sou meu texto. Luciano-texto, Luciano-sem-os-fatos. Das coisas que nunca vou poder esconder.
