17.8.05
Aí ela me chama. Ela me chama e quer conversar, e como antes fui eu que forcei ela a abrir a boca, me parece justo que atenda a esse chamado. Dentro da minha cabeça, eu só quero ficar sozinho. Sozinho pra entender o que eu tô sentindo, o que eu deveria sentir. Não, a coisa toda ainda não me acertou. Eu acordo todo dia nessa cama do escritório e me parece que estou ali porque bebi demais na noite anterior e tudo foi só um sonho.
Que coisa ridícula, ficar achando que a vida é um sonho.
Acordar é a pior parte do dia. Quando eu ainda não recobrei a consciência do que está acontecendo e os fatos começam a me atingir - a mesma coisa, todas as manhãs, flechas - eu me sinto um bosta.
Mas aí ela me chama. E quer conversar. Sem gritar, Luciano. Como se eu gritasse muito. Ou ela finalmente percebeu a gravidade da situação.
Queria saber se eu era capaz de perdoá-la.
Perdoar? Perdoar eu perdôo. Já perdoei.
A gente precisa manter uma relação saudável, Luciano, pelos nossos filhos.
E falou tantas coisas. Eu não entendi. Ainda não entendo. Acabou, eu sei que acabou. Tem que acabar. Assim, de repende, e pra mim foi sem aviso prévio, porque até um mês atrás eu ainda era um idiota meio alegre. Tapando os olhos e acreditando.
É sempre mais fácil acabar as coisas com olhos chispando fogo, com raiva. Mas agora eu não posso ter raiva. Pelos nossos filhos, Luciano. Pelos meus pequenos. Pelo monte de coisa que ela falou, de repente como se eu fosse o homem da vida dela, e se fazendo de culpada porque ela sabe muito bem que isso só me faz sentir pior. E que me amava, que me ama, que vai continuar me amando. Pra quê tudo isso agora? Manso, mansinho.
Porra.
Que coisa ridícula, ficar achando que a vida é um sonho.
Acordar é a pior parte do dia. Quando eu ainda não recobrei a consciência do que está acontecendo e os fatos começam a me atingir - a mesma coisa, todas as manhãs, flechas - eu me sinto um bosta.
Mas aí ela me chama. E quer conversar. Sem gritar, Luciano. Como se eu gritasse muito. Ou ela finalmente percebeu a gravidade da situação.
Queria saber se eu era capaz de perdoá-la.
Perdoar? Perdoar eu perdôo. Já perdoei.
A gente precisa manter uma relação saudável, Luciano, pelos nossos filhos.
E falou tantas coisas. Eu não entendi. Ainda não entendo. Acabou, eu sei que acabou. Tem que acabar. Assim, de repende, e pra mim foi sem aviso prévio, porque até um mês atrás eu ainda era um idiota meio alegre. Tapando os olhos e acreditando.
É sempre mais fácil acabar as coisas com olhos chispando fogo, com raiva. Mas agora eu não posso ter raiva. Pelos nossos filhos, Luciano. Pelos meus pequenos. Pelo monte de coisa que ela falou, de repente como se eu fosse o homem da vida dela, e se fazendo de culpada porque ela sabe muito bem que isso só me faz sentir pior. E que me amava, que me ama, que vai continuar me amando. Pra quê tudo isso agora? Manso, mansinho.
Porra.
