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8.11.05

Fim

 
Dessa noite não passa.

Tchau.

Desculpa, Lu.


6.11.05

.

 
Aí o negócio te atinge, derruba no chão, pisa em cima e dá uns pulinhos pra ter certeza que machucou. E você fica ali no chão se contorcendo mas uma hora pára de doer. Todo ferimento cicatriza. Cedo ou tarde. Depende do ferimento. Dane-se, não é?

Uma hora pára de doer. Uma hora dessas. A qualquer momento.


Arquivo

 
Papo de louco. Don't ask.

(Se tenho meus motivos para publicar. Sempre existem motivos.)

[00:58] Olivia: viadinho
[00:58] Luciano: Oi, minha querida
[00:59] Olivia: viu, viu, nao teve o beijo na novela, nao tiveram peito
[00:59] Luciano: Afe.
[00:59] Luciano: Ainda bem
[00:59] Luciano: Tenho mais que fazer ficar vendo homem se beijar
[01:00] Olivia: e aí, quando sai a verdade?
[01:01] Luciano: Olivia, você é maluca
[01:01] Olivia: voce que fica por aí achando que existe
[01:02] Luciano: E você, pior, acredita
[01:02] Olivia: ei
[01:02] Olivia: voce ficou offline
[01:03] Luciano: Eu?
[01:03] Luciano: Tá doida, é?

[01:10] Olivia: luciano, olha lá o que voce vai falar
[01:10] Luciano: Ih, lá vem a voz da consciencia
[01:10] Olivia: eu sou a sua consciencia
[01:10] Olivia: má
[01:10] Luciano: That's what you think
[01:10] Luciano: Aliás
[01:11] Luciano: E a Luciane?
[01:11] Olivia: tá bem tá boa e feliz e namorando
[01:11] Luciano: Aquele lá?
[01:11] Olivia: é
[01:11] Olivia: ele é legal
[01:11] Olivia: mais legal que voce
[01:13] Luciano: Vou indo, preciso contar Lexotan

[01:14] Luciano: Caraca, esse seu amigo Mauricio me deu um susto
[01:14] Olivia: ahahahahaha
[01:14] Olivia: mas voce nao tava offline?
[01:14] Luciano: Tô?
[01:14] Luciano: Não entendo mais nada
[01:15] Olivia: pra mim tá offline
[01:16] Luciano: É porque eu existo na sua cabeça
[01:16] Olivia: voce tá online na minha cabeça?
[01:16] Olivia: que papo metafiscico
[01:18] Luciano: Ninguem me manda email
[01:19] Luciano: Correntes sobre o verdadeiro espirito do natal e tal
[01:19] Olivia: pro peru, o natal é uma bosta
[01:20] Luciano: Meu natal tambem vai ser uma bosta
[01:20] Olivia: se você ainda existir até lá
[01:21] Luciano: Voce é meio maluca
[01:21] Olivia: o alex castro me disse isso hoje
[01:21] Luciano: Quem? O LLL?
[01:21] Olivia: é
[01:21] Luciano: Quero mais que exploda
[01:22] Olivia: voce nao tem coração
[01:22] Luciano: Voce estragou o que eu tinha
[01:22] Olivia: uuuuuuuuuuuuuh
[01:22] Olivia: luciano, depois dessa voce pode se matar esse ano mesmo
[01:22] Luciano: Eu sou um poeta
[01:22] Olivia: isso é o que eu temia
[01:22] Olivia: voce nao disse que nao era poeta?
[01:22] Luciano: Era um artificio literario
[01:23] Olivia: viado
[01:23] Olivia: alias
[01:23] Olivia: por falar em viado
[01:23] Olivia: e o michelino
[01:23] Luciano: Tô com raiva dele
[01:23] Luciano: Vou dormir
[01:24] Olivia: boa noite


30.10.05

Exeunt

 
Eu vou deixar de existir.

Um dia, né, todos nós deixamos de existir. Mas eu não vou morrer.

Eu nunca vou morrer. Eu vou apenas deixar de existir. Compreende? Claro que não. Seu mundo é outro. O meu mundo, o meu. Só queria avisar, que é pra ninguém sentir minha falta. Como se fosse possível sentir a falta do lobo. João e Maria e a bruxa, pelo bosque. O patinho feio.

Nem eu sei bem. Estou meio bêbado, mas olha, eu ainda consigo colocar os acentos e sem erros de ortografia. I think so. The least. Pontuação, letra maiúscula.

Meu mundo, o meu. Meu mundo hoje acordou meio torto. Porque minha existência, paf. Vocês vão entender, vão saber que se não fossem por vocês, eu já teria desaparecido há muito mais tempo do que isso. Luciane, above 'em all. Conversas de madrugada quando eu ainda não era completo. Um projeto de existência. Será que um dia você vai compreender? Não precisa se assustar. É que a gente esquece às vezes de levar as coisas ao pé da letra.

Nunca menti.

O que é uma vida às portas da morte?

Esqueci o significado das minhas próprias palavras. Vai ficar sem explicação. O que é uma vida às portas da morte?


Z

 
Mas antes eu preciso mesmo é agradecer a todos vocês, porque são os outros, são vocês, - vocês são os outros, mas que outros, eu sou os outros - que fazem a minha existência. Palavra esquisita. X como Z. Ezistência. Ezatitude. Ezatidão.

Exeunt. Ezeunt.


.

 
Eu espero que vocês possam me perdoar,

quando a verdade atravessar a minha existência
e quando eu não puder mais ser responsável pelos meus próprios atos.


23.10.05

Poetices de um retórico frustrado

 
Luciano intelectual frustrado, desmemoriado, exagerado - todos esses adjetivos rimam, e eu poderia continuar -; coisas assim que vou aprendendo sobre minha pessoa. É incrível. Poeta, retórico. Frustrado. Todos sabem sempre muito bem o que falar quando estão do lado de fora.

Hitler era um monstro, Getúlio era demagogo.

Em minha parca educação de cidade pequena do interior aprendi na escola que Getúlio Vargas era um homem bom vencido por forças ocultas do mal; para então descobrir que minha professora de história devia ser a última getulista. Há de se pensar que ela tinha idade para ter votado nele.

Hitler e Getúlio acreditavam no que estavam fazendo.

History, Stephen said, is a nightmare from which I'm trying to awake.

Mas podia eu mesmo ver-me de fora, apresentar um veredicto? Chamar-me poeta, retórico - incrível como tantos defeitos podem ser agrupados em dois termos - e todos aqueles ados. Para o pai, poeta; para os colegas, retórico (para os alunos no cursinho, mal-humorado). Meu pai dizia poeta apontando o dedo e censurando, como se é natural e necessário censurar os poetas desde os românticos e aquele desapreço às regras. Ser poeta, para muita gente, é um defeito. De certa forma isso é verdade.

Mas não sou poeta.

Ora, pois eu perdi o controle da minha vida quando são necessários acidentes e outros terremotos para fazê-la mudar de rumo e é traçar uma cronologia de mudanças para constatar o óbvio: atropelamento, pneumonia, acidente, acidente, acidente, acidente, traíção (putaquepariu palavra desgraçada); e a lista pode não ser tão grande mas é repetitiva o bastante. Parece-me lógico que as pessoas batam o carro ou quebrem alguns ossos, talvez algumas costelas, recuperem-se e retomem a vida de onde ela parou ou quem sabe até um pouco mais adiante. Enquanto comigo os erros e o acaso - quando algo pode dar errado, dará - são sempre motivos de reviravolta porque eu me sinto incapaz de tomar uma atitude sem que uma força maior me jogue o carro contra algum poste, ou me jogue um casamento pela janela.


21.10.05

Analogias

 
Edson meu psiquiatra falava sempre em analogias. Transformava um problema em um panetone, uma semana em uma aula de matemática. Falava da vida como uma dessas peças de teatro conceituais onde os atores querem te colocar no palco pedindo uma participação, amassando sua camisa e desalinhando os cabelos.

Nascer para ser espectador da vida dos outros.

Seria agradável deixar-se estar na platéia pensando em tolices quando a peça está chata, mas esses atores dando piruetas me impedem de um ponto de vista mais conveniente.

Analogias. É sempre uma satisfação fazer da vida um pedaço de pão e comê-lo.


17.10.05

Sêo Dialino

 
Meu avô por parte de mãe conheci já tinha vinte anos.

Ele era caminhoneiro e numa dessas foi e nunca mais voltou. A velha história do marido que vai ali na padaria comprar cigarros e volta dali três meses, com a diferença que sêo Dialino foi pra Recife e voltou dali trinta anos. Alma inquieta e um caminhão.

Quando deu de procurar os filhos, minha mãe e meus tios encontrou todos mais ou menos onde deixou, na mesma cidadezinha em Goiás - e se um ou outro deu de ir pra Goiânia não foi assim tão difícil encontrar depois. E na verdade minha surpresa foi perceber que rancor não tinham, e esperavam mesmo que ele ainda voltasse, de um jeito ou de outro. Sabiam que ele ia voltar. Trinta anos. Porque afinal ninguém se deu o trabalho de procurá-lo e ele também nunca se deu o trabalho de cobrir seus rastros, como fui descobrir mais tarde que meu pai - meu pai, que de certa forma pouco tinha a ver com toda a história - no começo do relacionamento com a minha mãe descobriu sua passagem em algumas cidades do Paraná.

E quando ele voltou eu tinha vinte anos e queria fugir dali.

Ele parecia saber de tudo que aconteceria na minha vida.

Me disse que não sabia mais viver em um lugar só, sentia a eminência de alguma coisa que na verdade nunca acontecia, uma espécie de desespero daquele que dorme a céu aberto em região de onça; não se sentia bem-vindo em lugar nenhum. Me deu uma bússola que guardava com ele desde mais ou menos a idade que tu tem agora: nunca me deu nenhum norte, quem sabe você faz uma história diferente.

E aí foi embora, outra vez, despedindo-se dos filhos e dos netos e dizendo que ainda voltava qualquer dia desses. Alma inquieta e um caminhão. Se ainda vivo está com 84 anos perambulando de cidade em cidade. Não sei.


11.10.05

De coisas que eu não consigo esquecer

 
É tudo ficção. Tudo ficção.


- Quando eu fiz cursinho as meninas davam muito em cima de alguns professores. É assim com você?
- Um pouco, mas nem dou bola.


- Hitler era um artista frustrado com manias de grandeza. E ele tinha um nariz muito grande.
- Ele tinha um nariz enorme. Acho que usava o bigode pra disfarçar o nariz.
- Precisava outra coisa pra disfarçar o bigode.


- Vem morar comigo.


- Por que você dorme toda encolhida em um só lado da cama?
- Não sei. Por que você nunca dorme?


- Eu te ensino a tocar violão e você me ensina a andar de bicicleta.
- Você tem 24 anos e não sabe andar de bicicleta?
- Não é pra rir.
- Eu não estou rindo.
- Ah, vá, não tive infância. Pára de rir, Luciano.
- Eu fui atropelado por uma moto uma vez, andando de bicicleta.
- Você vive se acidentando.


- Casa comigo.


- Às vezes penso que você é um intelectual frustrado.
- O que isso quer dizer?
- Um intelectual que não deu certo.
- E isso é bom ou ruim?
- Eu acho ótimo.
- Eu queria ser um intelectual e não sou?
- Você não suporta os intelectuais, mas se frustra por que vive na sombra deles. Você queria mais, mas se recusa a pagar o preço, ou a se misturar com quem você odeia. Nunca vai fazer essa pós-graduação que tanto fala. O problema é que um revisor de textos de ficção pode dizer que vive de literatura, mas ninguém nunca vai acreditar nele.


Impossível agora não pensar em Aristóteles; inteiro é o que tem começo, meio e fim. E talvez minha dor seja a incapacidade de me sentir inteiro, buscando o fim que inevitavelmente inutilizaria os próprios propósitos. Temendo o desfecho e buscando o início como se afinal fosse mesmo possível enganar o deus Apolo.